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Por Flávio Henard Jorge de Freitas

Por diversas vezes nos deparamos com aquários lindos, plantas esbanjando saúde, água cristalina, peixes muito bem adaptados. Quantas vezes você pensou: “Poxa, minhas plantas poderiam ser assim! O que posso fazer para obter este resultado fabuloso?”. A resposta está ligada por alguns pontos: rotina de manutenção, iluminação, filtragem, CO2, fertilização, alimentação dos peixes, etc. Vamos abordar a tríade iluminação, fertilização e CO2 para entender como não limitar nossas plantas e ter uma vasta flora!

Se o seu aquário estiver com plantas estagnadas no crescimento, o quê você faria com os fatores iluminação, fertilização e CO2? Aumentaria a luz? Colocaria mais PO4 (fosfato)? Calma, não é bem assim... Estudos feitos pela Tropica com RICCIA FLUITANS (na relação entre luz e CO2), indicaram que a melhor saída é o aumento dos níveis de CO2. Alguns aquaristas renomados tem atestado esta condição.

A luz é captada pela clorofila e rapidamente transformada em energia química (ATP), energia redutora (NADPH) e mais alguns produtos durante a fotossíntese. Elas aproveitam estes produtos da fotossíntese e transformam suas enzimas para o trabalho de captar o que estiver necessitando. Em condições de pouca luminosidade as plantas tem um nível de desenvolvimento e consumo de luz e nutrientes. Quando nos deparamos com o cenário acima o aumento de CO2 levará a uma disponibilidade maior de carbono na coluna d’água. Sabendo que a fotossíntese só acontece na presença de luz e que as plantas utilizam melhor o CO2 do que o bicarbonato (suas duas principais fontes de carbono) por não ter desperdício energético, ela capta este carbono, transforma em glicose pelo ciclo de Calvin, se alimenta e começa a se desenvolver. Cada planta tem um ponto de rendimento e as algas também tem. Por terem estruturas mais simples, o ponto de rendimento das algas é menor. Se você aumenta a luz e não adiciona mais CO2, você até provoca um crescimento nas plantas, mas devido a pouca disponibilidade de carbono, num dado momento, esta luz deixa de ser aproveitada e aí as algas entram em ação com mais força. Neste momento você tem um fator limitante que é o CO2, e com luz sobrando teremos um boom de algas.

A luz é, praticamente, o acelerador do crescimento das plantas. Se em algum momento deixarmos de nutri-las, levando a uma limitação de nutrientes, teremos desperdício e as algas vão aproveitar. A lei de Liebig vem ao encontro neste momento. Ela prevê que um nutriente e somente um basta para limitar o crescimento das plantas. Desta forma, se algum nutriente está muito baixo ou ausente (K, PO4, NO3...), não adianta eu ter luz e CO2 suficientes. O baixo nível de qualquer nutriente pode prejudicar o sistema de alimentação e crescimento da planta. Neste momento entra em campo a fertilização.

A fertilização é um assunto muito discutido e bastante controverso. Antes de iniciar a fertilização, indico que você meça os nutrientes da sua água, tenha luz suficiente e garanta que o nível de CO2 esteja adequado (indico ~30ppm) e alinhado com uma circulação de água eficiente. Os nutrientes que geralmente medimos são PO4 (fosfato) e NO3 (nitrato) para verificação dos macronutrientes e o Fe (ferro) para os micronutrientes. Existem alguns muito bons no mercado. Medição feita, luz e CO2 adequados? Hora da fertilização! Mas quando e como fertilizar? Assunto para nosso próximo artigo...