A circulação interna como aliada no equilíbrio do aquário plantado

Por Flávio Henard Jorge de Freitas

 

   “Seu aquário plantado está com a circulação de água muito forte, você deveria mantê-la no máximo em 5 vezes o volume do seu aquário por hora...” Quantas vezes você ouviu ou foi orientado desta maneira? Eu mesmo já indiquei isto, até que enxerguei a luz!

   Afirmo hoje, com todas as letras: A circulação de água no aquário plantado precisa existir. Quebrei este paradigma com um dos meus plantados. Vamos entender o porquê.

   Você conhece o físico alemão Ludwig Prandtl? Prandtl foi um dos pioneiros no estudo da aerodinâmica perto de 1920. Basicamente, num de seus estudos em mecânica de fluidos, ele cita que quando algum fluido entra em contato com algo sólido, forma-se uma “camada limite” entre o objeto e o fluido. Trazendo este conceito para nossos plantados, as folhas de nossas plantas possuem esta camada limite, são praticamente as moléculas de água que ficam em “atrito” com as folhas e, segundo TOM BAR (biólogo, especializado em biologia aquática), ela pode chegar a 0,5mm de espessura. Algo em torno de 10 vezes maior do que nas plantas terrestres! Começamos então a entender que nas plantas, as folhas tem uma camada limite e que esta tem algo perto de 0,5mm. Para as plantas se desenvolverem a contento, os nutrientes precisam atravessar esta camada limite e entrar em contato com as folhas. Desta forma a planta fica nutrida e tem condições de dar o melhor de si dentro dos nossos aquários.

   Uma das melhores palavras, se não a melhor, até hoje encontrada para esboçar o que significa ter um aquário plantado estilo natural é o equilíbrio. O fator equilíbrio entre iluminação, fertilização e nível de CO2 é determinante para o sucesso de um aquário plantado. Podemos juntar estes dois aspectos e ter um plantado exuberante: Equilíbrio e circulação interna da água. Quando temos circulação suficiente entre as plantas, esta camada limite tende a diminuir, o CO2 que injetamos terá melhor distribuição alcançando pontos antes inertes, os nutrientes conseguem atingir as folhas com mais facilidade, conseguimos fazer com que as bactérias do nosso filtro trabalhem com mais afinco na oxidação da amônia e nossas mídias filtrantes conseguem deixar a água mais cristalina com a captura de sujeiras antes depositadas no fundo do aquário e só removidas (quando removidas) na TPA.

   Sonho? Não, realidade! Comprovadamente a circulação interna é muito benéfica. A colocação do retorno da água dos filtros é muito importante. Coloque-a de forma que a água consiga rodar por todo seu aquário. Caso não seja possível, insira uma bomba submersa para circulação da água na posição em que perceber que a circulação está muito fraca ou não exista. Desejamos aqui uma circulação equilibrada! O que seria equilibrada? Água circulando de forma que as folhas tenham um movimento suave! Circulação intensa pode danificar as plantas e não vamos atingir o nosso objetivo.

   Com a circulação você aumenta a oxigenação do aquário. O interessante não é o espelho d’água parado e sim com leves ondas (não aos respingos hein!). Vai desperdiçar muito CO2? Não, um pouco mais do que o normal. Mas ainda sim é mais fácil você diluir o CO2 e “tentar” controlá-lo do que diluir o oxigênio no aquário. O oxigênio não é muito “sociável”... Com este aumento na oxigenação você pode aumentar a injeção de CO2 sem sufocar sua fauna. O ideal é manter o CO2 estável e controlado por solenóide (por volta dos 30 ppm). Desta forma, meça o KH e pH para verificar se a diluição do CO2 está em nível aceitável (ou use um drop checker!) e não limite o crescimento das plantas. Apenas o CO2 limita o crescimento da planta? Não. Qualquer nutriente limita o crescimento. Certifique que suas plantas não estejam limitadas e que estejam recebendo iluminação adequada, de qualidade.

   Aquário equilibrado? Então...Sucesso! Paradigma quebrado! E as algas? Em aquários equilibrados elas são meras coadjuvantes (se existirem!).